terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O Mundo não é Maternal

É bom ter mãe quando se é criança e, também, é bom quando se é adulto. Quando se é adolescente a gente pensa que viveria melhor sem ela, mas é um erro de cálculo. Mãe é bom em qualquer idade. Sem ela ficamos órfãos de tudo, já que o mundo lá fora não é nem um pouco maternal conosco. O mundo não se importa se estamos desagasalhados e passando fome. Não liga se virarmos a noite na rua, não dá a mínima se estamos acompanhados por maus elementos. O mundo quer defender o seu, não o nosso.

O mundo quer que a gente fique horas no telefone, torrando dinheiro. Quer que a gente case logo e compre um apartamento que vai nos deixar endividados por vinte anos. O mundo quer que a gente ande na moda, que a gente troque de carro, que a gente tenha boa aparência e estoure o cartão de crédito. Mãe também quer que a gente tenha boa aparência, mas está mais preocupada com o nosso banho, com os nossos dentes e nossos ouvidos, com a nossa limpeza interna: não quer que a gente se drogue, que a gente fume, que a gente beba. O mundo nos olha superficialmente. Não consegue enxergar através. Não detecta nossa tristeza, nosso queixo que treme, nosso abatimento. O mundo quer que sejamos lindos, sarados e vitoriosos para enfeitar ele próprio, como se fôssemos objetos de decoração do planeta. O mundo não tira nossa febre, não penteia nosso cabelo, não oferece um pedaço de bolo feito em casa.

O mundo quer nosso voto, mas não quer atender nossas necessidades. O mundo, quando não concorda com a gente, nos pune, nos rotula, nos exclui. O mundo não tem doçura, não tem paciência, não pára para nos ouvir. O mundo pergunta quantos eletrodomésticos temos em casa e qual é o nosso grau de instrução, mas não sabe nada dos nossos medos de infância, das nossas notas no colégio, de como foi duro arranjar o primeiro emprego. Para o mundo, quem menos corre, voa. Quem não se comunica se trumbica. Quem com ferro fere, com fero será ferido. O mundo não quer saber de indivíduos, e sim de slogans e estatísticas.

Mãe é de outro mundo. É emocionalmente incorreta: exclusivista, parcial, metida, brigona, insistente, dramática, chega a ser até corruptível se oferecermos em troca alguma atenção. Sofre no lugar da gente, se preocupa com detalhes e tenta adivinhar todas as nossas vontades, enquanto que o mundo, propriamente dito, exige eficiência máxima, seleciona os mais bem-dotados e cobra caro pelo seu tempo.

Mãe é de graça!

* * * * * * * * * * * *

Martha Medeiros

4 comentários:

Chica disse... [Responder]

Martha é maravilhosa e sempre acerta nos temas...beijos,lindo dia!chica

Everson Russo disse... [Responder]

Mãe é o ser humano perfeito, completo,,,tem respostas pra tudo,,,´tem amor infinito,,,tem a paz que precisamos,,,mãe é simplesmente t udo na vida da gente,,,burro é quem pensa que não é e só ve depois que ela se vai,,,,grande beijo de lindo dia pra ti querida....fica com Deus...

∂αѕ disse... [Responder]

Nossa, muito emocionante.
Belíssimo texto.
Parabéns pelo achado e obrigada por compartilhar.
Ótimo dia!
Beijo grande!
Das

Clarinha disse... [Responder]

Amei mãe... é tudo verdade!!!!
Mãe é tudo na nossa vida... coitado de quem não tem uma mãe e cai nessa mundo sozinho!!!
Obrigada por existir!!!!
Beijos
Te amo!!!!!















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