sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Um pouco sobre lesão medular!!!

Considerando que o assunto está “em alta”, devido ao drama vivido por Luciana (Aline Moraes), na novela Viver a Vida, resolvi fazer uma matéria sobre Trauma Raquimedular (TRM), ou seja a Lesão Medular vivida pela personagem.
Estou no último ano de fisioterapia, e neurologia é a minha paixão, então vou tentar dar uma resumida e explicar um pouquinho o que acontece no paciente lesado medular...

A nossa medula, de uma forma simplista, é uma massa de tecido nervoso situada dentro do canal vertebral, na coluna vertebral. Nossa coluna é formada por 33 vértebras, sendo 7 cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 4 sacrais e 4 coccígeas. No homem adulto, a medula mede aproximadamente 45 centímetros, sendo um pouco menor na mulher. A medula tem continuidade no crânio, formando o bulbo, e ela acaba na L-2 (segunda vértebra lombar).
É através da medula que ocorrem as conexão neurais que transmitem os impulsos sensoriais e motores do cérebro para o corpo e do corpo para o cérebro.
A medula espinhal é organizada em segmentos ao longo de sua extensão. Raízes nervosas de cada segmento inervam regiões específicas do corpo.:
• Os segmentos da medula cervical controlam a sensibilidade e o movimento da região cervical e dos membros superiores.
• Os segmentos torácicos controlam o tórax, abdome e parte dos membros superiores.
• Os segmentos lombares estão relacionados com movimentos e sensibilidade dos membros inferiores.
• Os sacrais controlam parte dos membros inferiores, sensibilidade da região genital e funcionamento da bexiga e intestino.



A lesão medular traumática ocorre quando um evento traumático, como o associado a acidentes automobilísticos, mergulho, agressão com arma de fogo ou queda resulta em lesão das estruturas medulares interrompendo a passagem de estímulos nervosos através da medula.

A lesão pode ser completa ou incompleta.

A lesão é completa quando não existe nenhum movimento voluntário ou sensação abaixo do nível da lesão e é incompleta quando há algum movimento voluntário ou sensação abaixo do nível da lesão.A medula pode também ser lesada por doenças (causas não traumáticas), como por exemplo, hemorragias, tumores e infecções por vírus.

Os TRM ocorrem cerca de 3 a 4 vezes mais em homens do que em mulheres, entre 15 e 40 anos. A região cervical é a mais lesada, cerca de 60% dos casos, por ser uma região muito móvel.

Nas lesões medulares completas há paralisia, perda de todas as modalidades motoras e sensitivas (tátil, dolorosa, para temperatura, pressão e localização de partes do corpo no espaço) abaixo da lesão e alteração do controle esfincteriano (urinário e fecal).

As lesões cervicais altas determinam tetraplegia (paralisia dos quatro membros). Nas lesões cervicais baixas, observa-se paralisia dos membros inferiores e das mãos. Nas torácicas, a paralisia é de membros inferiores.

Na fase aguda da lesão, ou seja logo após o acidente, encontra-se flacidez dos membros paralisados, abolição dos reflexos tendinosos (teste do martelinho no joelho) e retenção urinária. Esta fase é chamada de choque medular e pode se estender por vários meses. Com o passar do tempo, pode haver recuperação dos movimentos e observa-se aumento dos reflexos tendinosos e do tônus muscular, e dependendo do local e dimensão da lesão, o paciente pode voltar a ter vida normal.
Paraplegia caracteriza-se por perda de função sensitiva e/ou motora a baixo do nível da lesão, afetando apenas os membros inferiores.

A incapacidade na lesão medular varia de acordo com o grau da lesão, do segmento medular e das vias nervosas e neurônios da medula envolvidos. A maioria dos pacientes apresentam melhora que se inicia a partir da primeira semana e vai até o 6º mês do trauma. A possibilidade de melhora espontânea diminui após o 6º mês.

Estratégias de reabilitação instituídas precocemente podem minimizar a incapacidade a longo prazo. Uma das complicações comuns e debilitantes encontradas em pacientes com lesão medular são as úlceras por pressão (escaras), que podem ser responsáveis por hospitalizações e longos períodos de imobilidade. Circulação adequada de sangue no corpo é fundamental para manter viva a pele. Quando a circulação é interrompida por tempo prolongado, as células morrem e surgem úlceras. Elas surgem, geralmente, nas áreas onde os ossos são pouco protegidos por músculos.

A maioria das pessoas com lesão medular não possui controle urinário normal. O cérebro e a medula espinhal são responsáveis pelo trabalho coordenado entre a bexiga e o esfíncter da uretra, garantindo o controle urinário. Uma lesão medular pode comprometer a comunicação entre o cérebro e o sistema urinário e a eliminação da urina armazenada na bexiga deixa de ser automática, chamada de bexiga neurogênica, comentada na novela esses dias. Se a lesão for incompleta, é possível haver recuperação parcial ou até total com o tempo.

A lesão medular determina, também, alterações do controle intestinal. Nas lesões de nível mais alto, o distúrbio está principalmente relacionado com inatividade da parede intestinal (tendência a constipação crônica) e nas lesões mais baixas com incontinência (tendência a eliminação acidental de fezes). Embora na maioria das lesões medulares não seja possível a recuperação do controle intestinal, um programa de reeducação pode fazer com que o intestino funcione sempre em um mesmo horário, tornando mais fáceis as atividades fora de casa.

Quando o corpo não é movimentado regularmente, existe a possibilidade de ocorrer o aparecimento de um coágulo de sangue chamado trombo. O trombo formado na perna pode se desprender e viajar para outras partes do corpo. Se isto ocorrer, ele passa a ser chamado de êmbolo, e um dos lugares mais comuns para um êmbolo se hospedar é o pulmão (embolia pulmonar).Os sinais mais freqüentes de trombose são: panturrilha ou coxa de uma das pernas mais quente e mais edemaciada (inchada) do que a outra.Distúrbios do humor, particularmente depressão, são freqüentes em pacientes com lesão medular. A integração precoce em programas de reabilitação e socialização incluindo atividades esportivas, diminui a prevalência de depressão e ansiedade.

Prevenção:

Prevenir uma lesão da coluna vertebral requer prevenção de dano traumático à coluna vertebral, especialmente do pescoço. Para prevenir estas lesões é importante:

• Usar cintos de segurança,
• Nunca beber antes ou enquanto dirige,
• Não mergulhar em águas de profundidade desconhecida,
• Só mergulhar pelo menos em águas com 1,5m ou mais de profundidade, com os braços sempre pra frente,
• Usar equipamento protetor ao praticar esporte,
• Proteger-se contra quedas,
• Prevenir o acesso de crianças a armas.

Tratamento:

A maior parte do tratamento das lesões da coluna vertebral envolve uma conduta expectante (esperar para ver a evolução). Para aqueles que tiveram lesões graves uma recuperação completa é altamente improvável, e o tratamento consiste em encorajar, ensinar a adquirir novas habilidades e a desenvolver novas estratégias de vida.

A cirurgia às vezes é necessária no trauma de coluna que danifica as estruturas ósseas que envolvem a medula espinhal, para ser estabilizada ou para a drenagem de um coágulo sanguíneo a ser removido.

A fisioterapia é extremamente benéfica ao paciente e todos os lesados medulares terão que ser submetidos a sessões de fisioterapia motora. Em muitos casos, onde o quadro é irreversível, a fisioterapia é fundamental, não só para o aparelho motor ou respiratório, mas tambem para a auto-estima do paciente, já que esses ficam totalmente sensibilizados, desanimados, tristes. Qualquer melhoria por menor que seja, como no caso da personagem Luciana, se alimentar sozinha ou até mesmo passar um batom, tornam-se o insentivo para continuarem, já que a cabeça continua do mesmo jeito, pensamentos e sentimentos iguais, só o corpo não não obedeçe mais.

"Puxando sardinha" pra fisioterapia, junto com os outros profissioanis como fonoaudiologistas, terapêutas ocupacionais, enfermeiros e médicos, temos grande responsabilidade sobre esses pacientes, já que eles depositam muitas vezes todas suas esperanças no nosso trabalho. Mas confesso que não é nada fácil, a gente acaba se envolvendo, e as vezes tendo que dar esperanças, mesmo no fundo sabendo que não haverá muita melhora. Não é fácil ver a luta entre a mente e o corpo dessas pessoas. Mas Deus sabe o que faz... e que ele continue dando forças para as pessoas que estão dispostas a ajudá-las.

Um grande beijo a todos.

Clarinha.

18 comentários:

MISCELÂNIA RIFF disse... [Responder]

Isso sim é um post mega informativo ou melhor uma aula e tanto... Adorei o tema abordado, ainda mais, que as pessoas so se interessam se estiverem em foco na mídia, o q. é errado. Prestei mais atenção na prevenção... eu vivo mergulhando de cabeça na piscina do meu clube... as vezes nem me dou conta q. tem as bordas q.sao mais rasas e tb. esqueço q. coloquei silicone...qq. dia os silicones vão pro prescoço.... credo... obrigada...adorei. Parabens

Everson Russo disse... [Responder]

É sempre interessante saber sobre o corpo humano, como funciona,,,um beijo e um belo final de semana pra ti.

Nathy disse... [Responder]

Uauuu...q aula heim Clarinha!!! Muito boa a explicação ADOREI! Ah vc vai ser uma ótima profissional tenho certeza...sempre mto dedicada....Dra. Mª Clara...hehee
Bjão

Andréia A disse... [Responder]

É sempre muito importante se sabedr sobre as lesões referentes ao corpo humano!1
Parabéns pelos esclarecimentos da postagem!1
beijao e um otimo final de Semana as Três pessoinhas lindas integrantes deste blog!!

Clarinha disse... [Responder]

hahhaha... Riff, o silicone foi ótimo!!!
Mas quanto aos mergulhos, é perigosissimo, é o maior índice de lesões!!! Vai de leve... hahaha
beijos
bom fim de semana.

Clarinha disse... [Responder]

Everson, é verdade... o corpo humano é de maaaaaaaaais... e olha que ainda desconheçemos muita coisa sobre essa máquina perfeita!!!
Beijos
Clarinha.

Clarinha disse... [Responder]

Ai Naty... será????? hahahahaha... tomara. Ficou meio que super longo neh... ah... mas é dificil resumir essas coisas, ainda neuro que eu amo... hehe.
Té mais tarde.
beijossssss

Clarinha disse... [Responder]

Oi Andreia, obrigada, bom fim de semana pra vc tb!!!
Beijão
Clarinha.

...EU VOU GRITAR PRA TODO MUNDO OUVIR... disse... [Responder]

Este post é uma AULA!!!

Só uma dúvida:a medula só mede 45 cm?

Bastante informativo!

Um beijo!

Sonia Regina.

~*Rebeca e Jota Cê*~ disse... [Responder]

Só quem valoriza o valor de uma fisioterapia é quem precisa dela.Esse post ficou fantástico, Fátima.


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Final de semana chegando e a correria diminuindo. O negócio é curtir a desaceleração dos afazeres e sentir que a preguiça nessas horas tem seu valor. Então, vou deixar uma música que acho maravilhosa, pode ser?

É essa:

http://www.youtube.com/watch?v=VqVwY5PJNGw

Beijo imenso, menina linda.

Rebeca


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Fátima disse... [Responder]

Rebeca querida.
Realmente o post ficou muito bom, minha filha Clarinha é uma aluna muito aplicada e dedicada.
Me orgulho e me sinto realizada das minhas frustrações atravez das minhas três filhas.
Todas realizadas e muito esforçadas em suas escolhas.

Ela vai agradecer seu comentário também, pois é claro que é bom ser bem avaliado.

Obrigada por nos prestigiar sempre, e amei a musica.
Que bom.

Tenha uma linda noite.
Beijo.

Luísa disse... [Responder]

Fátima,
há outras lesões medulares sem trauma de impacto...lembro as lesões das doenças neurológicas degenerativas, tipo esclerose múltipla.Verdade?
Adorei o que por cá aprendi!
Beijinho terno

celia disse... [Responder]

Clarinha, que excelente explanação sobre lesão corporal que vc nós deu, muito interessante.
Parabéns !
Bjos
tia Célia

Rosana disse... [Responder]

Oi, Clarinha:
Gostei do seu blog pq é leve...
minha lesão tb é leve, embora tenha sido complicada...
outro dia estava com amigos e disse enfaticamnente que queria uma carteirinha de deficiente. Eles me questionaram sobre porque eu a queria tanto e eu respondi sem pensar: pq eu pareço normal!!!
É...isso é um problema prá mim, não sou cadeirante, mas tenho uma lesão medular importante que resultou em parestesia dos braços e mãos, falta de sensibiliddade em quase 80% do corpo e, quando fico mais ou menos 40 min. sentada, levanto como um pinguim, com muita dificuldade para andar... mas isso não é visível, ng respeita...pareço mais maluca que deficiente nas situações cotidianas como teatro, cinema, ou mesmo clinicas que frequento. No dia a dia então é f...
Não sei o q vc pensa disso...mas sei q prá mim está sendo difícil mostrar pro mundo q sou deficiente!!!
Abraços
Rosana

Clarinha. disse... [Responder]

Oi Rosana, que bom que gostou do blog!!!
Posso imaginar suas dificuldades, visto que mesmo os pacientes mais afetados enfrentam tantos desrespeitos quanto ás suas necessiddades. Precisa estar escancarado para que as pessoas se toquem não é????
Mas felizmente, devagarinho, as coisas estão mudando e a inclusão social já esta fazendo parte do dia-a-dia de muitas pessoas.
Mas enquanto isso, uma carterinha não seria má ideia, hahahha...
Um grande beijo.
Clara.

Clarinha. disse... [Responder]

Olá Luísa,
esta certa, existem muitas causas para a lesõa medular.
Entre elas a de impacto, infecçiosa, compressão, doenças neurologicas entre outras.
Beijos
Clara.

Clarinha disse... [Responder]

É isso mesmo Sonia, aproximadamente 45 cm para homens,com pequenas variações em função da estatura.
Obrigada pelo interesse e atenção.
Beijo.

Clarinha disse... [Responder]

Oi Rebeca, realmente só mesmo quem é portador de alguma deficiência ou dificuldade é que valoriza as técnicas, e profissionais que de alguma forma fazem com que suas limitações diminuam ou sejam amenizadas .

Obrigada .
Beijo.















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